Vir sem os documentos do imóvel
O erro que mais vemos, nestas semanas de outono em que muitos proprietários decidem finalmente tratar do assunto, é chegar à consulta sem qualquer papel. A conversa de uma hora serve para perceber o imóvel, a situação de quem o possui e os objetivos, e sem documentos metade do tempo gasta-se a tentar lembrar datas e áreas.
Não é preciso levar uma pasta completa. Basta a caderneta predial, a certidão do registo, se a tiver à mão, e a licença de utilização ou qualquer indicação do que o imóvel é oficialmente. Se houver obras antigas, uma nota com o ano aproximado já ajuda.
Quando algum documento falta, não cancele a consulta. Diga-nos o que não encontra e indicamos onde costuma ser possível pedi-lo. A consulta serve também para isso: separar o que é urgente do que pode esperar.
- Caderneta predial e certidão do registo
- Licença de utilização, se existir
- Nota de obras ou reparações recentes
- Contas de condomínio, se se aplicar
Chegar com uma única ideia fechada
Há quem venha decidido: este apartamento é para arrendar, ponto final. Respeitamos a vontade, mas uma ideia fechada impede de olhar para o que o imóvel realmente permite. Já aconteceu a ideia inicial ser razoável e, ainda assim, haver uma alternativa mais adequada à idade, ao tempo disponível e ao estado da casa.
Pedimos apenas que venha com uma preferência, não com uma sentença. Explique porque a escolheu, o que receia e o que gostaria de evitar. É com essas razões que trabalhamos, muito mais do que com o rótulo da opção.
A consulta inicial não obriga a nada nem fixa decisões. Serve para ordenar as hipóteses, e a comparação detalhada, com custos e aspetos práticos, fica para o relatório escrito, numa fase posterior.
Esconder dúvidas ou constrangimentos pessoais
Muitos proprietários calam o que lhes parece pouco relevante: um irmão que também tem direito sobre a casa, uma dívida antiga, um inquilino informal, a vontade de um dia voltar a viver lá. Estes pormenores mudam bastante o caminho possível, e é muito melhor conhecê-los na primeira conversa do que no meio do projeto.
Tratamos o que nos conta com discrição. A nossa função é perceber a situação inteira, sem julgar, e por isso ninguém precisa de arrumar a história antes de a contar.
Se há assuntos de família ou de partilhas por resolver, dizemos com franqueza que nesses pontos o apoio de um advogado ou de um solicitador é o passo certo. Indicamos o que perguntar, para que a conversa com esse profissional seja mais curta e mais útil.
Esperar certezas de rendimento logo na primeira hora
Outro engano é sair da consulta à espera de um número final. Não damos promessas de rendimento, e seria pouco honesto fazê-lo depois de uma hora de conversa e sem ver o imóvel por dentro. O que se obtém é uma leitura prudente do que parece viável e do que ainda é preciso apurar.
Convém também ter presente que qualquer valor depende do estado da casa, da zona, das obras necessárias e do tempo que o proprietário quer dedicar. Estes fatores só ficam claros com a análise do imóvel e com a comparação de alternativas.
Por isso, no fim da consulta combinamos o passo seguinte, quando faz sentido, e dizemos o que cada um custa. Sai com um caminho, não com uma garantia.
Ir sozinho quando a decisão é de mais pessoas
Se o imóvel pertence a vários herdeiros, ou se o cônjuge ou os filhos vão ser afetados pela decisão, vale a pena que estejam presentes ou, no mínimo, informados. Já vimos consultas boas ficarem sem efeito porque, passada uma semana, alguém da família discordava de tudo.
Não é preciso levar o grupo todo. Uma pessoa de confiança, que ajude a ouvir e a recordar o que foi dito, costuma chegar. Pode também registar as perguntas dos outros e trazê-las escritas.
Se a deslocação a Tomar for difícil, fale com a Marta ao telefone antes de marcar. Veremos a melhor forma de reunir quem precisa de estar, sem complicar a vida a ninguém.
Marcar tarde e com pressa
Por fim, o erro do calendário. Quem pede consulta quando o imóvel já está vazio há dois anos, ou quando surgiu um comprador ou um inquilino à porta, decide sob pressão, e a pressa raramente ajuda. O outono, com dias mais curtos e menos obrigações, é uma boa altura para dedicar uma hora a pensar com calma.
Marcar cedo dá margem para recolher documentos, falar com a família e visitar o imóvel com tempo. Também permite escolher se se avança já ou se se espera por uma estação melhor.
Quando nos contacta, perguntamos pelo prazo que tem em mente e respeitamo-lo. Se não houver prazo nenhum, melhor ainda: a análise faz-se sem sobressaltos.
- Reserve uma hora sem interrupções
- Anote as perguntas antes de vir
- Diga-nos se há algum prazo real